Era uma quinta à noite. Ah, foi até no
dia dos solteiros, lembra? Pois é, eu lembro.
Estávamos numa roda, totalmente
entre amigas, eu era uma intrusa no meio das universitárias de moda. Algumas
solteiras, outras namorando, casadas, enroladas mais que o meu cabelo
até. Conversávamos sobre tudo, até que o assunto sobre homem acabou,
alias, acabou não, só deu uma pequena trégua, porque assunto como esse nunca
acaba definitivamente em uma roda de conversa feminina, é sério.
Por fim, entramos num assunto de
auto-estima, tanta coisa passou pela minha cabeça. Mas antes de entrar em detalhes do que
rolou sobre esse assunto, me deixa contar um pouco da minha vida chata e parada
pra vocês.
Desde que me conheço por gente nunca
fui uma criança/menina/mulher conforme o padrão de beleza brasileiro, é que
assim, tenho lá pra mais de 100 cm de quadril e mais de 90 cm de busto e mais
ou menos 80 cm de cintura [acredite se quiser],
com certeza já passei por um momento mais magra, alias acho que toda criança já
viveu nem que seja um mês de magreza.
Eu quando era mais nova tinha
facilidade em emagrecer e de engordar, vivi por um bom tempo sob o efeito
sanfona, engorda, emagrece, engorda e emagrece e assim aconteceu até eu
completar meus 18 anos em junho/12.
A partir daí comecei a querer emagrecer
definitivamente, porque eu queria/quero atingir o meu peso ideal, mas nem tudo
são flores e eu não consegui até agora. Percebi com o tempo que o meu caso de
não consegui emagrecer não é por causa da minha má alimentação, é claro que
isso colabora para o aumento de gordura no corpo da menina, MAS descobri que
sofro desde sempre pelo transtorno da ansiedade, sou alguém muito ansiosa.
Antes mesmo de planejar e fazer acontecer já estou ansiosa para saber de um
resultado que está totalmente longe de ser visualizado.
Foi ai que eu percebi que não
adiantaria eu tentar emagrecer se não controlasse esse meu lado emocional
juntamente com tantos outros. Daí, você pode me perguntar, mas K. Por
que você ta falando isso pra gente? Porque
por um bom tempo sofri com o problema da não aceitação do meu próprio corpo.
Posso até ter os “atributos” da mulher brasileira, mas de vez em
quando isso é bem desconfortável, viu
homem?! Ser assediada o tempo todo, por algo
que você tem, sem um pingo de respeito é bem ruim.
Passei por uma fase do cabelo liso e
magra, só que agora eu estou numa fase dos cachos e gordinha, quanto aos cachos
eu pretendo continuar, mas quanto ao meu peso? É claro que eu quero mudar,
mudar minha alimentação, entrar pra academia, correr atrás e realizar objetivos
pessoais, mas olha nada disso acontece de um dia pro outro não, sabia!? E é por
isso que quero planejar tudo.
O meu problema da não aceitação veio
pela rejeição de não fazer parte do padrão, eu diria carioca. Sempre tive
amigas magras, sem contar as mulheres com suas pernas malhadas, saradas e
torneadas, com cabelos alisados vez ou outra uma loira ou morena, cabelo
escorrido com uma franja na altura do queixo, fora aquela bunda super fixada
dentro da calça legging de
correr na esteira e de levantar peso sem medo. Te digo isto, porque é isso que
a maioria dos homens procuram, boa imagem e pouco conteúdo, sim é um pouco
clichê essa frase, mas infelizmente é a verdade.
Conforme fui ficando solteira, uma vez
por opção, outras porque realmente não aparecia ninguém além de querer coxa e
bunda. Voltando a minha solteirice, sempre achei que estivesse solteira
por causa do meu peso, só que não é, sabe por quê? Porque a minha auto
estima [* Característica de uma pessoa que valoriza a si
mesma, dando-lhe a possibilidade de agir, pensar e exprimir opiniões de maneira
confiante.] está lá em cima, to bem comigo mesma,
trabalho, a faculdade eu começo ano que vem, sou independente, saio e entro em
casa quando quero, mesmo morando com os meus pais tenho uma certa liberdade pra
fazer o que quero, claro que dentro dos limites. E sempre lamento muito por
homens que em pleno século XXI procuram mulheres que passam horas na academia
para serem chamadas de gostosas, nada contra as gostosas de plantão, mas acho
que vocês estão entendendo bem o que quero dizer.
Dito isto, volto a
parte da roda da conversa feminina, uma das que estavam sentada soltou que
também já sofreu da não aceitação, do seu corpo e dentre outras coisas. [eu: - Sou hereditária de metabolismo gordinho gente, não adianta, pra ter um
corpo magroooo só cirurgia e olhe lá, eu me amo, amo minhas pernas, boca,
sorriso, barriga, mas com moderação e certas coisas serão corrigidas com o
tempo.]
Sobre a auto-estima e
do se aceitar, acho que nós mulheres temos que parar um pouco de se preocupar
com o que o outro vai pensar, falar ou qualquer outra coisa. Ora bolas, você
que vive e sabe bem o porquê que não faz parte do universo panicat, seu metabolismo não
vai ser desenvolvido para ser como uma modelo da vida. O jeito é se aceitar, é
comer uma fatia de torta de maracujá sem medo, sem culpa do que o outro vai
falar, das calorias que vão citar.
Porque o se aceitar
vai além de se conformar, é você se planejar e perceber que pode sim se cuidar.
Cada um pode cuidar de si com moderação sim gente, é só querer. Você não pode
culpar por toda a vida por não ser magra, por ter um cabelo liso ou ser dona de
um mega par de olhos claros, fomos feitos assim pelo Criador e acho que se você
for reclamar com ele de nada vai adiantar.
Hoje em dia eu me amo,
de verdade. Amo meu cabelo, reconheço que extrapolei o meu peso, mas não que
uma academia não resolva. Se amar vai além de querer que o outro te ame, é
viver pra si para depois se entregar a alguém seja de qualquer forma, é pensar
que somos assim, mas que é bom ser diferente.
Não vou negar que não
gosto quando soltam um “você está ótima assim”, mesmo você sabendo e
achando que não estar ou “nossa, que gostosa”, de vez em quando isso faz bem
pro ego da mulher, mas não é sempre. Mas sinceramente, mais vale ser elogiada
pela minha beleza natural, exterior e inteligência do que por um par de bundas
no lugar sem celulites e estrias.
Se alguém tentar te
por pra baixo, negue pra si quantas vezes quiser, você é linda e pode muito
mais. Se aceitar vai muito além daquilo que ouvimos por ai, é viver um dia após
o outro reconhecendo que errou, que pode melhorar e corrigir os erros.